Reordenando nosso amor (3/3) – Nossa falta de amor

Primeiro, o que Deus ama. Segundo, o que nós devemos amar. Agora, continuando nossa caminhada em João 13:30-38, nossa incapacidade de amar. Eu falei sobre amar da mesma forma que Jesus. Esse é um padrão muito alto, não? Como posso conseguir isso? ‘Eu não consigo! Eu não quero! Me preocupo com os outros quando dá, mas não fui feito para ser tão radical, não‘. Pois é. Você está certo. É impossível. Mas o que é impossível para os homens, é possível para Deus!

Mesmo sabendo disso, esse padrão de Cristo nos parece muito alto. Tão alto que até o ignoramos. Já percebeu? Ouvimos coisas como “amarás o Senhor, teu Deus, de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e de todas as forças”, ou “se alguém quiser vir após mim, negue a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me”, e não paramos um segundo para pensar. Lemos bocejando! É como se fosse uma formiga passando por um museu de arte. A beleza do que está ao redor é num nível tão elevado que ela não vai conseguir entender nada. No máximo nos emocionamos um pouco, mas assim que eu preciso perdoar meu chefe, ou amar aquela pessoa da família que me fez mal, eu esqueço. Eu procuro fazer ‘do meu jeito’. É toma lá, dá cá. Por quê? Porque o ensinamento de Jesus não desceu pro coração. Parou nas emoções. O coração é mais profundo que as emoções. O coração afeta nossas ações, pensamentos, amores, toda a direção do nosso ser. Mas ficamos no superficial.

Com os discípulos não era diferente. Versículos 36 e 37: “Então Simão Pedro lhe perguntou: Senhor, para onde vais? – Jesus já tinha mudado de assunto. Pedro não ouviu nada, ficou lá atrás na explicação – Jesus respondeu: Para onde vou não podes seguir-me agora; mais tarde, porém, me seguirás. Pedro lhe disse: Senhor, por que não posso seguir-te agora? Darei a minha vida por ti”. Veja como Pedro não se conhece. Parece muito com a gente.

Ele só se preocupa com o Mestre não estar mais junto deles. Mas esse Mestre, que ele tanto ama, disse várias vezes que o que o Pai queria, que sua missão, era ser entregue aos judeus, morrer, e depois voltar. E não ouviram. Dá a impressão que Pedro queria companhia de Jesus, mas não queria o que Jesus queria. Isso não parece com você? Parece comigo. Pior do que isso, Pedro se engana. Pensa que tem a capacidade de morrer por Cristo. Por isso a resposta de Jesus é até irônica, verso 38: Darás a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. “Você vai morrer por mim? Acho que você está equivocado, Pedro. Eu é que vou morrer por você”. Pedro estava tão fechado em seus sentimentos, em seu ego, que não conseguia amar nem a Jesus nem a Igreja até a morte. Era impossível para ele ter esse tipo de amor eficaz. É impossível para a gente ter esse tipo de amor eficaz. Mas note que Jesus diz: mais tarde, porém, me seguirás. Pedro nem imagina o que isso quer dizer, mas vai chegar o momento em que ele terá esse tipo de amor. Vai chegar o momento que ele se levantará corajosamente diante das autoridades para pregar, e 3 mil se converterão. Vai chegar o momento em que Pedro morrerá por amor a Cristo e pela Igreja.

O que aconteceu? O que separa o Pedro de agora para o Pedro que vem depois?  Será só idade, maturidade, experiência? Se fosse só isso Cristo não teria morrido. A resposta para o que transformou Pedro é uma só: O Espírito Santo. A morte e ressurreição de Cristo, o evangelho da glória de Deus, derramou um amor superabundante no coração de Pedro. Romanos 5:5“…E a esperança não causa decepção, visto que *o amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado*” –  Depois Romanos 5:11 – E não somente isso, – preste atenção! – mas também nos gloriamos em Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual recebemos agora a reconciliação.”

Amor derramado em nosso coração pelo Espírito, e nós nos gloriarmos em Deus por meio de Cristo. Você vê a Trindade nisso? O Espírito derrama em nosso coração um amor eficaz por Cristo e pela Igreja e nos gloriamos em Deus, por Cristo. Pai, Filho, Espírito. Redenção e glorificação. Amor eficaz. Ele que opera. Ele que transformou Pedro. Ele que te transforma, hoje, ao ponto de você amar além do afeto. Ele age, pelo Espírito, por meio da Palavra, agora. É esse Espírito que une a Igreja, mais próximo do que carne e sangue, mais inseparável do que o Sol e o calor.

Eduardo Almeida

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