Reordenando nosso amor (2/3) – O que devemos amar?

Analisando João 13:30-38 e como isso nos ajuda a organizar nosso amor, já vimos o que Deus ama, agora veremos o que nós devemos amar. Versículo 33: “Filhinhos, estarei convosco apenas mais um pouco. Vós me procurareis; e, como eu disse aos judeus, também vos digo agora: Para onde eu vou, não podeis ir”. Filhinhos! Uma expressão carregada de amor e carinho. Para os judeus no capítulo 8, Jesus havia dito: “Irei embora, e me procurarei, mas *morrereis* no vosso pecado. Para onde eu vou, *não* podeis ir” (João 8:21). Mas para seus discípulos Ele diz: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João 14:2). Jesus sabe como Sua partida irá decepcionar os apóstolos, mas também sabe que é necessário. Tanto para que Ele seja glorificado, como para que prepare lugar para Suas ovelhas. Se Ele não fosse, o Espírito não viria. Mas qual seria a marca dos discípulos de Jesus, sem Ele? Como saberiam que são cristãos? Versículos 34 e 35: “Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. A marca dos seguidores de Jesus seria o amor!  

Eu acho incrível como Jesus relaciona o amor pela Sua glória na obra da cruz com o amor que devemos ter uns pelos outros. Ele diz: um novo mandamento vos dou. Mas é novo amar uns aos outros? Vemos isso em toda a Bíblia! O que é ‘novo’ nesse mandamento, então? É porque Ele relaciona esse mandamento com a glória de Deus manifesta na cruz. Quando Ele diz “amem, assim como eu vos amei” os discípulos talvez tenham pensado no lava-pés. “Poxa, devo ser servo, assim como Jesus quando lavou os meus pés”. Mas dali algumas horas isso teria um significado totalmente diferente. Amar como Jesus ama: Diante da cruz, ressurreição e salvação de Cristo, nosso amor muda. À luz de Sua glória a maneira que amamos uns aos outros, em especial aqueles da fé, é mudada. Ele nos amou até o fim, portanto nos chama para amar da mesma maneira.

Só que… Como é esse amor? A sociedade hoje busca um amor egoísta, cheio de afetividade, mas com pouco conteúdo. ‘Aqueles que não atendem as minhas vontade eu amo, só que de longe. O irmão que fecha a cara para mim, o que é difícil de lidar, eu amo muito! Mas só dou um sorriso, não precisa muito mais, não‘. É assim que Jesus amou? Nós estamos presos a um tipo de amor egoísta, que só funciona nos sentimentos, mas Cristo nos amou com um amor eficaz.

O amor de Jesus não era só sentimento, não era empatia sozinha. É um amor que realmente salva, realmente transforma, realmente estende a mão. Então Jesus, antes de se entregar, disse que o que marcaria Sua Igreja, Seu corpo, Sua noiva, seria um tipo de amor uns pelos outros que reflete o amor do Pai para o Filho, que reflete o amor do Cristo que morreu e perdoou nossos pecados. Esse é o grito de guerra da Igreja. Amor além do afeto. Não se resume em camisetas cristãs, adesivo de carros, ou postar versículos no facebook. É saber que seu irmão foi amado pelo Pai de forma infinita, e possui o mesmo Espírito que você. A fé cristã nunca é solitária. Você tem uma família de fé bem grande. Todos os cristãos, de todas as épocas, em todo o mundo tem nas veias o mesmo sangue que te comprou. Se você julga pertencer a Cristo, você precisa, necessita, demonstrar o amor que Deus derramou em seu coração para o seu irmão. Se somos cristãos, precisamos amar com amor eficaz nossos irmãos na fé. Amar a Igreja da mesma forma que Cristo amou. Amar quem faz parte do corpo de Cristo assim como o próprio Cristo. É isso que nós devemos amar.

No próximo post veremos como falhamos em amar, e como corrigir isso!

Eduardo Almeida

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